quarta-feira, 22 de abril de 2009

Tempo...

Tempo

Falta-me o tempo
Que gastei com os dias inúteis
Faltam-me as lágrimas
Que chorei sem precisar
Falta-me a vida
Que finjo já vivida

22/Abril/2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Banalizei a dor

Banalizei as palavras
De tanto as querer minhas
Virei-as do avesso
Para vestirem o caminho ideal
Para o mais alto dos temores

Banalizei as palavras
De tanto as querer sentir
Fingi sofrimentos e amores
Para lhes dar vida
Para lhes dar corpo e alma

Banalizei a dor
De tanto que me doeu
Banalizei o sonho
De tanto o perseguir
Sem o entender... sem o rejeitar
Sem lhe reconhecer o pesadelo
Que seus braços me segredavam

6/Abril/2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Tudo de uma vez

Rebento com esta vontade
De escrever tudo de uma vez
Persigo as palavras que se escondem nas sombras
Procuro-as sem dó, sem piedade
Porque tenho peito profundo de sons
Ansiando por transcrições inéditas
De sentimentos gastos e ferrugentos

Desejo de liberdade que não quer ser livre
Medo de sorrir pelo medo de não saber chorar
Ai esta vontade de rebentar
De morrer pelas palavras que me fogem
E torná-las imortais


1/Abril/2009

Temo-nos

Tenho-te
Tens-me
Temo-nos
O caminho
Desenhos na Lua
Palavras doentes de silêncio
Gritos libertos em pó

Tenho-te
Tens-me
Presente meu e teu
Amarrando o futuro

Temo-nos
Irremediavelmente

1/Abril/2009

Um beijo...

Um beijo

Tentei um dia compôr-te um beijo
Lembras-te?
Tentei desenhá-lo com as cores do teu rosto
Para que o sentisses só teu
Faltou-me a voz dos poetas
Para o cantar no teu sono

Tantos dias depois
Tantas palavras depois
E ainda esse beijo navega em meus lábios
Ainda treme em minhas mãos
Esse beijo que nunca te dei
Foi amanhecer
Foi adubo na terra
Mão que na mão se entranha
E torna inseparáveis dois olhares

Tentei um dia compôr-te um beijo
Em forma de poema
Desenhado numa folha de papel
Mas o vento guardou-o para si
Arrancou-o aos meus braços

Relembrando com tristeza
O que o acaso levou consigo
Toma este beijo
Acho que está bonito
Enfeitado com a luz do teu olhar

1/Abril/2004

terça-feira, 31 de março de 2009

Respirar

Tenho dificuldade em respirar
Como se o que tenho dentro de mim
Fosse maior do que a vida
Como se o que tenho para falar
Viesse e me deixasse assim
Curando a minha alma ferida.

O que sinto no coração
É uma história de amor
É um pedaço de paixão
Escrito sobre uma antiga dor
É um olhar que me enternece
Ausência que me entristece

O que tenho em mim e já não seguro
É a vontade de te mostrar
A vida que ainda muito procuro
Todos os momentos e anseios
Que alguém me quis roubar
Enchendo meu sono de receios.

Quero muito conseguir dizer
O que tanto me sufoca o dia
E sem nada mais a fazer
Corro como se fosse louco
Suplicando a tua companhia
Quando tudo o que tenho é tão pouco.

Quero dizer que te amo
Porque a voz que sinto presente
É a voz com que te chamo
Voz triste, trémula, carente
Quero dizer-te a minha emoção
Quero dizer-te o meu coração

23/Setembro/2004

Rio

Rio gigante
Rio vivo
Nele me vejo antagónico
Rio seguro do destino
Inabalável no sentir
Contrário de mim

31/Março/2009

Reflexos

Lembro as palavras que nunca disseste
Cursos de água que não existem
Reflexos de futuros por viver

31/Março/2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ainda...

Ainda me resta tanta ilusão
Ainda me atormenta tanto querer
Ainda...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Inquietação

Quantas portas tem a saída?
Quantos rumos tem o futuro?
De quantos avanços e recuos
Se faz uma inquietação perfeita?
Insana é a tentativa de caminhar direito
Louca a vontade de procurar uma vontade

Reclamo hoje o espólio abandonado
Em todos os pedaços dos meus nãos

Junto-me para não me perder
Sereno nesta doentia inquietação
Que me deixa sedento de ar puro


5/Março/2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

domingo, 1 de março de 2009

Quantas palavras

Amedrontei-me com as palavras
Juntei-as uma a uma
Procurando uma frase onde me abrigar
Um som onde reconhecer o Sol

Breves sorrisos entre breves lágrimas
E um mar imenso que abracei na minha voz

Quis contar-te
Mas não te encontrei
Não me encontrei


1/Março/2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Poema com pressa

Estas linhas escrevo-as com pressa
Pressa não sei de quê
Mas com vontade de ir não sei onde

Sim, com pressa porque tenho pressa
De partir para todos os lugares onde já morri
Pressa de viver com todas as ansiedades

Linhas escritas com pressa de chegar ao fim
Sem que nada diga ou queira dizer
Mas querendo dizer o tudo que ainda não sei

Guardei no mais profundo das mãos
Todos os espinhos com que me feri
Mas nesta pressa em que estou
Sinto-os... leve, dormente, indolor

18/Fevereiro/2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Passado

E as palavras que não as vivo?
E a loucura imensa de as sublimar?
E a mordaça que me sufoca a alma?

Onde estão as masmorras?
Onde está o nadar sem pé?
Carro desvairado resvalando no abismo

Onde está o doce do amargo?
E a dor de sorrir mais alto?

A inércia deste sentir o não sentimento
Falta-me a guerra pelo amanhã inexistente
Perseguição incessante do nada a troco de nada.

Já não tenho imagens de castelos nos bolsos
E perdi todos os rascunhos da alma

12/Fevereiro/2009

Tu e a Lua

A Lua tinha um brilho diferente
Tinha um brilho que todas as noites ilumina o meu quarto
Quando ouço a tua voz nos meus pensamentos

A Lua tinha um brilho diferente
Tinha o brilho dos teus olhos
Por isso digo que te vi na Lua

Também as estrelas cintilavam com maior intensidade
E vi nelas... as tuas mãos... os teus gestos

E senti-me aconchegado na noite fria
Senti um lábio teu na minha face
E adormeci

27/Dezembro/2004

Não existes

Tu não existes
Porque em nenhuma canção de amor
Ouvi versos que te cantassem

Tu não existes
Porque te olho e te vejo única
Atrás desse brilho cuja dimensão ignoras

Tu não existes
Mas, no entanto, és real
És real
Mas meus dedos não te alcançam
Pareces inatingível

Como se fosses rainha
E eu povo
Tu existes
Mas não existes
Para mim...

27/Novembro/2004